Pressa
Escrito por vinirusso | Em Pesquisas, Sermões
Enquanto eu me policiava para não parar de jogar idéas para cá, uma série de fatos prenderam minha atenção nesse tema.
Primeiro, um vídeo do “Did You Know” apareceu para destacar estatísticas interessantes, que revolucionam nosso pensamento apressado.
Conforme os dias iam se congestionando, eu comecei a investigar as causas da minha pressa com a proteção do modelo de planejamento que tenho exercitado, o Getting Things Done do David Allen.
Essa proteção é eficiente, mas esbarra na característica viral da pressa. Eu enxergo isto ocorrendo como no Pêndulo de Newton.
Outro indicador claro para mim, vai de encontro com as explicações sobre a Ressonância Schumann – eu cismei que ela explica aquele famigerado questionamento “Parece que os dias estão passando mais rápido, né?” -, principalmente pelas conversas que o sábio Antônio Carvalho gravou no seu antigo podcast na Rádio Bandeirantes, e pelas idéias que vejo nos primeiros graus da Sociedade Brasileira de Eubiose.
Eu acho que o fato desta ressonância vibrar na mesma frequência que nossas ondas cerebrais, já explica o suficiente.
Neste meio-tempo também, Demi Getschko – diretor-presidente do Núcleo de Informação e Coordenação do .br – em uma entrevista para o Roda Viva da TV Cultura também adicionou mais informações ao quebra-cabeça, comentando por exemplo, como a aceleração propiciada pela Internet está ultrapassando a legislação vigente, e entrando em conflito com governos de todo o mundo. O curioso é que, pelo menos aparentemente, apenas um governo mundial parece esboçar alguma compatibilidade com os cenários que estas novas tecnologias estão criando.
Os atritos mais quentes, ainda neste tema, estão gerando vereditos flamejantes pelo velho continente – com o caso do Pirate Bay -, e claro, protesto por aqui com a Lei Azeredo.
Isto poderia parecer apenas uma coincidência, afinal, as mudanças certamente geram incômodo. Mas, aí eu lembrei desta entrevista com o Cândido Mendes – também no excelente Roda Viva – analisando a democracia do Brasil, que decretou:
A voz legislativa é uma voz que está desatualizada dentro da vontade política brasileira.
Esta citação me remete o seguinte: primeiro devemos executar e julgar e, apenas por ventura, pensar sobre isto (?).
O professor também não poupou os “colegas” ao classificar que a grande maioria dos políticos hoje, estão na idade da pedra. Ainda nesta entrevista, a parte ruim e ótima é que todo o “podre” da nossa política está sendo exposto, com uma frequência que eu não me lembro de já ter assistido, mesmo em gerações passadas à minha – e os mais velhos que corrijam abaixo.
Como não bastava estudar, surgiu uma lição de casa. Fui convidado pelo meu parceiro de colégio e Jogo12 Alê Paschoalini para participar de uma gravação de um piloto para o Multishow (e para a Didi Wagner), desenvolvido pela Pródigo – mais especificamente pela Pródigo Silva, um núcleo jovem lá dentro -, onde participei com a Paty, a Vic, o Estéfano e com o Gus na criação de uma flashmob com que tema? Advinhe?
A pressa.
A experiência dessa brincadeira que ocupou 3 dias inteiros foi muito interessante. Armazenamos as informações no blog da flashmob, até mesmo para sincronizar a colaboração que recebemos de um pessoal que estava na mesma sintonia.
Nesse desfecho, algumas coisas me marcaram. A primeira foi ficar congelado por 15 minutos na calçada, na frente do MASP – como parte da flashmob – apenas observando, sem pressa ou necessidade de dar um passo sequer.
As outras surgiram no brainstorming do programa. O descobrimento de que a doença que mais mata a sociedade brasileira – e aqui, eu interpreto “doença” como o reflexo de um erro de comportamento – é o AVC/Derrame (que não teria uma descrição errada, se explicado como um congestionamento cerebral), e o aparecimento do livro “Devagar” do Carl Honoré:
Carl Honoré mostra que a cultura da velocidade teve início durante a Revolução Industrial, foi impulsionada pela urbanização e cresceu desenfreadamente com os avanços da tecnologia no século XX. Com o mundo em plena atividade, o culto à velocidade nos impeliu ao colapso. Vivendo no limite da exaustão, estamos sendo constantemente lembrados por nossos corpos e mentes que o ritmo da vida está girando fora de controle. Este livro traça a história de nossa intensa relação de pressa com o tempo, e atrela as conseqüências e charadas de viver nesta cultura acelerada, criação nossa. Por que estamos sempre com pressa? Qual a cura para a falta de tempo? É possível, ou até mesmo desejável, desacelerar? Percebendo o preço que pagamos pela velocidade implacável, as pessoas em todo o mundo estão reivindicando o tempo delas e desacelerando o passo – vivendo mais felizes e, conseqüentemente, de forma mais produtiva e saudável. Uma revolução ‘Devagar’ está acontecendo.
E para terminar, uma imagem – para você usar seu pensamento automático – em homenagem a uma doce menininha que eu assisti entre o metrô Consolação e Vila Madalena. Em um dos dias mais apressados e sufocantes, ela me mostrava, brincando de se equilibrar nos bancos do metrô, a insustentável leveza de ser cantada pela Nação Zumbi.
“O desafio da sustentabilidade”
Escrito por vinirusso | Em Apresentações, Comentários
Terminou agora há pouco no CPFL Cultura da TV Cultura, esta interessante apresentação do economista Hugo Penteado. São 116 minutos de troca de idéias, com ricas analogias sobre os famigerados – porém pouco combatidos – problemas planetários que enfrentamos. Veja a descrição do site oficial:
Nós, nossa economia e nosso sistema produtivo somos dependentes da natureza. A apresentação começa com um resumo dos problemas socioambientais criados pelo nosso sistema econômico. Em seguida, mostra como a teoria econômica tradicional ignora os fatores sociais e ambientais em suas teorias, através do uso de leis da física de 200 anos cujos avanços mudaram a forma como enxergamos a realidade à nossa volta.
Governo analógico, ou digital?
Escrito por vinirusso | Em Pesquisas, Sermões
Inevitável fazer uma analogia desse pensamento abaixo – do Jorge Maranhão no A Voz do Cidadão -, com a “forma de governo” de software exercida pelas grandes empresas desenvolvedoras, oposta a democracia direta promovida pelo Software Livre:
O Estado Nacional tem sido um organismo pequeno demais pra enfrentar os problemas da cidadania planetária, e grande demais para atender as pequenas questões da reciclagem, da limpeza, do saneamento básico que deve ser atendida pelos governos locais.
O John “Maddog” complementa muito bem essa comparação, na sua apresentação Entrepreneurship and Free Software da última Campus Party.
(O presidente Obama diverte o povão no "Open for Questions". White House Photo, Chuck Kennedy, 26/03/09)
Parece até óbvio, escândalo após escândalo, que a forma de governo exercida hoje é obsoleta, e apenas iniciativas próximas – como a Open for Questions – ao que o presidente Obama vem fazendo mais ao norte, podem indicar alguma mudança de rumo.
Se não vai por bem, vai por mal. O Arnaldo Jabor fez nessa última semana – no seu podcast da CBN – uma fábula muito interessante demonstrando o ponto de vista do criminoso carioca sobre a situação política e financeira do nosso país. Para os mais preguiçosos, alguns trechos:
“Eu sou um sinal dos novos tempos; vocês nunca me olharam; eu era inofensivo; uns roubos aqui, uns assaltos ali; mas tudo bem. Vocês até me romantizaram!”
“O máximo que vocês podem fazer, são estes movimentozinhos pela cidadania; Cade os bilhões de dólares, para uma solução profunda?”
“Só que agora vocês não tem mais nem grana, com essa crise aí, vocês estão com um bode fora, e outro dentro (?) – a crise do capital financeiro fora, e nós dentro.”
“Nós somos uma empresa moderna: a gente não precisa de ordem judicial, a gente não precisa de mandado de prisão, a gente não é dividido em municipal, estadual e federal … nossa lei é outra. Bobeou, morreu. A nossa animalidade cruel, acelera os processos.”
“Já imaginou a gente daqui a 10 anos? Para acabar conosco, só jogando bomba atômica na favela. Mas vocês tem medo de morrer, e nós não. A morte para vocês é ataque do coração, a morte para nós é o presunto diário desovado numa vala.”
“Olha meu companheiro, para ganhar essa guerra, vocês tem que começar o Brasil … de novo.”
Ainda estamos engatinhando, e nem precisamos ir para as ciências sociais para entender isto afundo. Esta útil comparação feita no artigo sobre seres humanos da Wikipédia já mata a questão:
Se existisse vida há 10 dias, o homem teria aparecido no último minuto na África, há um segundo na Eurásia e Oceania, e apenas há 1/4 de segundo nas Américas.
Paciência, compreensão … é lá vamos nós, cambaleando simultaneamente na não-violência do Gandhi e na intolerância consciente promovida no Blue Eyed – excelente workshop sobre racismo – da tia Jane Elliott.



